segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Jornal da Vila Olímpica da Maré n. 6

Jornal da Vila Olímpica da Maré n. 6

Prata da Casa: Ruth Silva Alexandra do Carmo, 17 anos, aluna do PcD-Programa para pessoas com deficiências

 “Há dez anos faço natação na VOM e há três meses comecei a fazer aula de canto, porque gosto muito de cantar e queria gravar um CD e me tornar uma cantora. Continuar na natação também é um sonho. Já participei de várias competições, a mais recente foi a do Intervilas, na qual fiquei em segundo lugar. Considero a Vila um bom lugar e com bastante atividade. Aqui é um espaço que permite a formação de muitos atletas, por isso as pessoas não podem desistir dos seus sonhos. Quando entrei na Vila Olímpica a minha deficiência era mais complicada. Pensava que não conseguiria fazer natação e ficava com medo de afundar na água. Comecei a fazer natação e minha perna foi ficando mais flexível. Participar das atividades da VOM me mudou muito. Hoje vejo o mundo de uma forma diferente, sei que não é porque sou deficiente que estou privada de fazer as coisas.”
Coordenadora do PcD vence novo desafio


A atleta ultramaratonista Jacqueline Terto, coordenadora do PcD - Projeto Para Pessoas com Deficiências da Vila Olímpica da Maré, participou com muito êxito do Sahara Race 2010, realizado em outubro no Egito. Entre 156 atletas de várias partes do mundo ela chegou em 35o lugar na classificação geral e em 7o entre as mulheres.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

PcD da VOM fecha 2010 com chave de ouro!



PCD ENCERRA suas ATIVIDADES em 2010


No dia 10 de dezembro o Projeto para Pessoas com Deficiência da VOM organizou a festa de encerramento de suas atividades.  Cerca de 150 pessoas entre alunos, familiares e professores participaram da festa. Foram distribuídos para cada aluno do projeto um panetone, doados por Luiz Guilherme, empresário e ultramaratonista. Segundo Jacqueline Terto, coordenadora do PcD, a ideia do encontro foi integrar ainda mais todas as pessoas que fazem parte da coordenação, além de fazer um balanço sobre o ano que passou.
– O projeto esse ano teve muitos ganhos. Ele começou a ser visto dentro da Vila como um projeto específico, pois atendemos pessoas com diferentes deficiências. O ano também foi muito bom devido � confiança da comunidade no nosso trabalho, comentou a coordenadora.
Um dos grandes ganhos do PcD em 2010 foi a contratação do terapeuta corporal, profissional responsável no atendimento terapeutico corporal  junto ao alunos.
– A terapia corporal entra no contexto de uma ação muito específica, porque quanto mais comprometido o aluno, menos indicação para a prática da educação física ele tem. As pessoas mais comprometidas que estavam desassistidas estão agora encontrando o que faltava, que é a terapia corporal, afirmou Jacqueline.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

COORDENADORA DA PcD da VOM NO SAHARA RACE 2010



COORDENADORA DA VOM NO SAHARA RACE 2010




Sete dias correndo no deserto mais quente do mundo. Este foi o desafio vencido pela ultramaratonista Jacqueline Terto, coordenadora do Projeto Pessoas com Deficiências da Vila Olímpica da Maré, que participou do Sahara Race 2010, uma competição de sobrevivência em condições extremas que aconteceu de 3 a 9 de outubro no Egito. Entre os 156 atletas de várias partes do mundo que participaram da competição, Jacqueline chegou em 35o lugar na classificação geral e em 7o entre as mulheres.
– Foi uma honra participar do Sahara Race e representar o Brasil e a América Latina na competição, pois não tinha ninguém dessa parte do mundo lá. Ir para o deserto foi realmente uma superação, foram oito meses de batalha, batendo de porta em porta e explicando a proposta de fazer os quatros desertos mais extremos do planeta, comentou Jacqueline, cuja participação na competição se deu graças ao apoio do diretor da VOM Cristian Nacht e da empresa Vênus Turismo.
A coordenadora do Projeto Pessoas com Deficiências da VOM é conhecida no mundo do esporte por ter sido a primeira brasileira a ganhar, em 2008, a Jungle Marathon, uma ultramaratona de sete dias em plena selva amazônica na qual homens e mulheres competem juntos, de igual para igual.  Além do Saara, o deserto mais quente, Jacqueline pretende percorrer o deserto  de Gobi (o mais úmido), o de Atacama (o mais seco) e a Antártida (o deserto mais frio). Também está em seus planos participar da ultramaratona do Nepal, em 2011.
Jacqueline conta que retorna � s ultramaratonas com um novo projeto: "Ultramaratona com Responsabilidade Social", onde pauta sua participação nesses eventos com vistas � criação do Instituto Jacqueline Terto (JT), fundação de apoio e assistência a pessoa com deficiência em condições de extrema pobreza e risco social.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sahara race 2010 - CONLUI!!!!







Sahara race 2010! Concluido!!!!!

Amigos, com alegria segue agora a minha aventura na Ultramaratona Sahara Race 2010. Desculpe-me pelas poucas fotos distribuidas ao longo da narrativa, mais aguardei ate agora umas que encomendei, e como não chegaram estou postando sobre a competição assim mesmo. Quem puder pode ver as fotos no site da competição esta bem? Agradeço a compreensão.
Bjs e espero diverti-los com a leitura!

Cairo, Chegada para a competição de Ultramaratona Sahararace 2010.





Da janela do avião olhava apreensiva para o grande Egito...terras e mais terras desconhecida por essa nordestina arretada.....( se bem que aquele festival de areia sem fim lembrava muito as dunas de ginipabu em Natal, e também o meu querido morro do careca onde passei boa parte de minha infancia subindo la na praia de Ponta Negra ), e nos instantes que antecediam o desembarque recordava dos meses anteriores ate chegar ali.

A grande dificuldade para se conseguir patrocinio para fazer uma ultramaratona mundo fora não é mais novidade, porém impossivel não lembrar...

Foram 8 meses desde que tiramos nosso Projeto dos 4 desertos da gaveta e começamos a batalha para conseguirmos apoio.

E so conseguimos por que existem pessoas que acreditam no potencial do atleta brasileiro e partilham do ato de sonhar juntos...Falarei bastante dessas pessoas mais a frente, pois a eles cabem sempre um capitulo muito muito especial. Por hora citarei seus nomes e representações: Cristian Nach (Diretor da VOM), Luiz Parente (Empresa Venus Turismo), Shirley Thompson (Event rate), Sandra Garcia, luiz Guilherme e sempre: Luiz Lacerda (este bem conhecido de todos não é?)

Vou pular 2 dias antes da largada do saharaRace, onde os acontecimentos foram de menores importancias ( chegada, acomodações, etc etc ) e vou direto para o cheklist ( vespera da largada do sahararace) onde todos os concorrentes devem apresentar-se para confirmação de incrição, verificação de equipamentos, pesagem, ou seja, credenciamento oficial.





Este é um momento onde todos se veem (e se analisam...) Pude ver que aquela gente não estava ali para brincadeira...todos sem excessão estavam bem preparados para aquela prova. Eram 156 atletas de 34 países. Eu, unica brasileira ( ou melhor unica Sulamericana da parada!!!) nem uma unica pessoa que falasse meu idioma, eu, menos ainda falava os deles!!!!! Que situação...




Meu ingles é no melhor das hipóteses inexistente! Nem frances, nem alemão, japones????hum,hum! Enfim...

Para conversar com a organização da prova foi por meio da graça da expressão corporal ( alias sou otima em me fazer entender.....rissssosssss.....sem dificuldade!!!!!)

E enquanto aguardava a minha vez fiquei a observar a pesagem das muchilas dos outros atletas: media de 6 a 8 kls e meio estava dando as mulheres, os dos homens 11 a 14 kls.

Imaginei que a minha ja estava bem pesada, pois o meu equipamento não é dos mais leves, além das comidas e coisinhas pessoais...a ultima vez que havia pesado estava com 9 kls e 200 ( fora a hidratação)...mais tudo bem. Eu ja sabia que nada seria fácil ali...

E foi assim que me vi apresentando ao Staff que estava responsável pelo meu credenciamento. Tudo ia bem nas apresentações do meu equipamento, ate que chegou a hora de provar alimentação para 7 dias...Deus do céu: não é que o danado do Staff cismou que minha comida não era suficiente para 7 dias???!?!? E eu achando que tinha comida demais ( e tinha mesmo, pois em corridas desse tipo como bem pouco (constante mais de pouquinho em pouquinho). Enfim foi um Deus nos acuda para essa situação. Eu havia levado aquelas comidinhas iliofilizadas ( que alias não gosto nada) mais sei que são fundamentais hoje em dia, e claro: biju ( tapioca dura) cuscuz ( de milho) e carne seca ( em pedacinhos por porção) além das guloseimas que me fazem super bem e a suplementação que faço uso regularmente. Mais não teve acordo, ou eu conseguia mais comida ou nem largava!!!! E conseguir comida aonde se estavamos no meio do nada? O hotel ficava a meia hora de carro ate um mercado mais proximo... Ja quase em desespero, com os olhos beirando lagrimas, fui salva por um canadense ( Steve) que ao percebera situação gentilemente me chamou num canto e aos gestos com meu ingles sertanejo pude explicar que precisava de comida...ele então correu e me trouxe 5 porções gigantes de comida que continha mais de 5 mil kalorias!!!! Foi ate o staff e explicou que estava me doando pois tinha em excesso. Muito a contra gosto o staff aceitou!!!

E então fui para a pesagem...Minha muchila estava pesando 11 kls e 600!!!!! E sem a agua!!!!

Quase chorei....olhei de novo para ver as pesagens das outras mulheres, so para ter certeza que não estava louca: pesava naquele momento a muchila da mexicana: 6 kl e 100!!!!! E nessa media estavam as muchilas das mulheres competidoras!!!! Que que eu podia fazer com 12 kls nas costas???? A diferença era apenas do dobro!!!!! Com o coração doendo, segui para o onibus.

Dali em diante a prova começara.


Foram quase 5 horas ate a chegada no primeiro acampamento onde seria dada a largada da competição no Deserto do Sahara Race 2010.









O primeiro acampamento ficava as margens da longa estrada que atravessa o deserto ( igual aquela do filme ......) Era uma colina com vista para o que um dia foram antigos lagos salinos (existentes por ali a trilhões de anos). Hoje é somente uma imensidão de areia...







Hora do xixi....(na estrada indo para o primeiro acampamento)



Quando desembarcamos do onibus sentimos as primeiras lufadas quentissimas do vento açoitando nossos corpos (e eram por volta das 17:30 horas mais ou menos!!!)





Tentei proteger meus olhos (na tensão do momento acabei por esquecer que os oculos estavam logo ali: na cabeça!!!! (acho que servindo de "diadema" né? como falamos na minha terra em Natal ou "arco" como se fala no Rio....para proteger os meus cachinhos de cabelos???? Mesmo que eles ja estivessem com uma bandana e um bone de reforço!!!!!) Vou te contar viu! So eu mesma!!!!! ) Teriamos que caminhar uns 500 metros ate chegamos nas barracas. Com os olhos semi-fechados visualizava um mar de poeira em longas trilhas de areia que sumiam e resurgiam a todo instante (cada vez diferente...
Cercado por terras secas, com ventos que constroem dunas gigantescas por vezes com mais de 400 metros de altura, costumando atingir temperaturas acima de 50 c e as areias escaldantes 80 c torrando tudo pela frente, aquele lugar, no meio do nada seria minha "casa" pelos próximos 7 dias!

O percurso proposto cobriria 250 KM com chegada prevista nas famosas Piramides de Gizé.

Porém, não sem antes passarmos por vales, dunas, terrenos rochosos, tempestades de areia, frio monstro nas madrugadas, e quem sabe: um poço aqui, um oasis ali....(acho que começava os meus delirios...imagina encontrar um oasis?! Bem, isso sim seria emociante né não?!?!


Mais na verdade aquela beleza sem fim, arrepiava a alma. Seriamos 156 atletas, de 34 paises, todos em um unico desejo: concluir SaharaRace. Quantos de nós conseguiriamos??? Do fundo do meu coração, pedi a Deus e a espiritualidade maior que eu fosse uma delas!!!!

Estava ali para competir bravamente por uma excelente colocação, mais de verdade entendi naquela hora que completar aquela prova seria ja uma vitoria por si só.

Chegamos na barraca que nos abrigaria naquela noite antes da largada. Ficamos na número 2-BES (cada barraca abrigaria de 6 a 8 atletas). Logo conheci meus companheiros de "quarto": Vincent ANTUNEZ, Matt MARSH, Tim ROBINSON e Gary LAWS ( EUA), Cole SIRUCEK ( Singapura), Sergio RETAMALES (Chile) e Nahila HERNANDES (Mexico) sendo esses dois ultimos Sérgio e Nahila que assim como eu eram os único de seus Países. Por afinidade de linguas ( apesar de ainda um pouco confuso) logo nos aproximamos mais, porém os demais atletas eram super gentis e atenciosos. No final ficamos todos super camaradas. Afinal 7 dias sem banho, com a roupa suada e secando no proprio corpo isso ha de aproximar qualquer raça é ou não é????



Nessa primeira noite fomos contemplados com uma tempestade de areia...era de arrepiar (não de frio, mais de "medinho" mesmo...afinal o som é bem assustador: UHUUUU, UHUUUUU acho que é isso, bem, não vou conseguir escrever o som né, mais coloquem sua imaginação para funcionar que voces conseguem....!!!!! rissssossss. Bem, isso por que estavamos dentro das barracas, e quando fosse em curso?????? DEUS DO CÉU!!!!!

Esta foto foi no inicio da tempestade de areia....estas marquinhas não são de agua e sim de areia!!!! A tentativa da foto custou a maquina de meu irmão (Radamés), pois depois dessa foto ela não mais funcionou!!!! Desmaiou antes da largada ( por isso não tenho quase fotos....), máquina mais frouxa né?!?!? O interessante é que depois que cheguei no Rio, a danada não é que voltou a funcionar?!?!? A gente "vê" cada uma.....

Pela madrugada, começamos a nós preparar para a bendita largada.





Todos os conferes dos ultimos momentos, decisões do que deixar para traz (escondido) e do que levar...COMO DESEJEI deixar mais da metade do que estava na muchila...O peso era quase que insuportavel depois que chegamos no deserto, pois o calor PESA!!!! Mais seria bem arriscado pois se precisasse mesmo não teria como conseguir. Melhor levar tudinho, mesmo que não fosse utilizar...Naquele deserto, qualquer coisa poderia ser a diferença entre o tudo ou nada.



Bom, nosso maior desafio antes da largada seria aprender a racionar a agua. Receberiamos dali em diante apenas 3 garrafas d'agua de 1 e 1/2 ( 4 litros por dia) que seria usadas apenas para consumo em alimentos e ingestão propria. Qualquer outra utilização poderia favorecer uma penalidade que variava de 50 minutos a horas!!! Por outra utilização entenda-se: banho, lavar roupas, lavar equipamento, etc etc...Imagina???? Pois é....



Dada a largada de sahararace edição 2010:





Da linha da largada, podiamos vislumbrar o que um dia foi um lago. Ali a regiaõ e conhecida como Lago Northen. Era a porta do deserto! As areias se perdiam em horizontes. Nessa primeira etapa teriamos pouca areia dura e imensidões de dunas...(para todos os gostos: pequenas, longas, altas, baixas, fofas....)era o que eu temia, pois com o peso de minha muchila melhor que as dunas ficassem para depois...agora dunas seria um desastre... (e foi)!!!



Com 40 km de deserto ja deu para perceber o que seria os 250! Meus pés estavam em carne viva! A ultima vez que haviam ficado ruins foram em 2006 quando fiz jungle marathon pela primeira vez. Mais agora não estavam ruins, estavam péssimos! Em carne viva! Bolhas e mais



bolhas de sangue.




O CALOR ESTAVA ABSURDO!!! Bem, mais como não fui ali para passar frio, acho que estava tudo normal né não?





O socorro vinha nos chekpoints! Ao passarmos nos postos de controle, era possivel reabestecer as aguas, porém, eu sempre me fazia de "desentendida" e DEPOIS de beber e encher garrafas, "assim meio sem querer" derramava agua na cabeça!!!!! Brasileira que sou não ia dar um geitinho????? risssossss



Pena que os postos de controles tinham em media 12 km de distancias ( sendo que não eram 12 km em estrada reta, no fresquinho...eram em dunas e mais dunas né? A distancia que fazemos normalmente em 1 hora poderá durar mais de 3!!!!!!Verdade....



Passamos por mares e mares de areia (alguns pareciam castelos), outras com incriveis formações rochosas, planaltos e espaços abertos, pelo vale da baleias ( no passado ali era a maior concentração de baleias quando havia mar) viamos vários esqueletos deles...todos intocáveis e devidamente preservados...(de encher os olhos....)




Em cada etapa encontramos terrenos diferenciados, mais SEMPRE com mares e mares de areia. O sol escaldante nos empregnava a alma! Apesar de toneladas de protetor solar, nada acalmava a situação. A noite a lua sempre companheira das estrelas...A vegetação era coisa rara por ali. Vez ou outra avistavamos algum pe de não sei o quê! Muito ressequido (plenamente adaptado aquela quentura).





Não se via ninguem por aquelas bandas....muito raramente encontrei um ou outro nomade. Esquisitos......Não achei a carinha deles boa não...pelo sim pelo não melhor passar rápido né????
Sei lá....


Nos tres primeiros dias, meu estado era de chorar...



As costas estavam em petição de miséria...Minha lombar gritava por Luiz Lacerda (meu terapeuta). Ainda assim minha colocação estava entre as 15 primeiras....O que fazer? Resurgir das cinzas! Igual Fenix!!!!E buscar as 10 primeiras... Eu podia. E fui!!!!





Na etapa longa 92 km (penultimo dia antes do final), uma aventura inusitada (merece falar:)



Estava eu numa bonita disputa com a mexicana Nahila Hernandes por todo o dia longo ( uma passava, a outra passava... e o dia seguia. Uma era 6ª outra era a 7ª. Eu era a 7ª. Era somente adminstrar e chegar no final. Não havia mais como buscar nenhuma colocação ja em reta final. A diferença era poucas ou algumas horas ( todas devido aos 3 primeiros dias quando mal conseguia seguir com a muchila monstruosa)...Mais, naquelas alturas ja estavamos entre as 10 certas. E felizes!!!!!



Porém, atletas que somos não perdemos a oportunidade de uma boa disputa....e assim seguiamos hora apos hora... ate que la pelas tantas (bem tarde da noite), nessa empreitada de disputa ficamos desatentas com o caminho e fomos parar num mangue fofo que afundava vertiginosamente!!!!Era uma mistura de sal e areia que ficaram aparentemente dura, mais que ao serem pisotadas logo afundavam. Quem pisa ali e tenta sair cada vez afunda mais... Ao darmos conta da situação, a disputa acabou imediatamente: nos apoiamos e de mãos entrelaçadas, juntíssimas, conseguimos sair daquele vale de morte!!!!Graças a santa dela que não me lembro agora o nome e a minha Nossa Senhora Aparecida conseguimos (acho que ate as duas santas se deram as mãos para nos ajudar...) Foi horrivel a sensação de estar num deserto, sem ninguem nos vendo ou ouvindo, com a fervorosa possibilidade de morrer atolada!!! Mais quem ia imaginar que no meio do deserto do sahara havia mangue ( deve ter outro nome para aquilo, mais por hora fica mangue ok???)???? Descobri no outro dia que o "mangue" era o inicio de um antigo lago salgado que ainda se mantia "vivo" por ali, então era parecido com areia movediça. Pisou, Afundou!!!!Um horror!!!! A Nahila falava: um perigo isso não? poderiamos morrer!!!!!Ninguem avisou!!! Bem, avisar acho que avisou né? A gente que não prestou atenção ou não entendeu bem o ingles.... Achei graça...afinal ali tudo era perigoso e ninguem percebeu!risssosssss Para completar antes do final ainda ouvimos gritos granhentos de algum animal comendo outro, sera!... Naquele escuro funebre ninguem enxergava nada...so ouvia, e parece que tudo que se ouvia era terrivel...e tome braços dados entre Brasil e México!!!! Quando avistamos aquela luzinha la longe sinalizando que era a linha de chegada, no meio da noite, quase choramos de emoção, e de braços entrelaçados cruzamos a linha de chegada da etapa longa! Foi muito bacana!!!!!O abraço foi de: conseguirmos chegarmos vivas!!!! Viva Brasil e México!!!




Olha nós ai! Eu e a atleta Nahila, felizes depois da aventura inusitada!!!!!

Sete dias depois, no dia 9 de outubro cruzei a linha de chegada!







Pouco a pouco os sobreviventes do Sahara Race 2010 iam chegando, exaustos, emocionados, felizes!!!! A Chegada foi nas famosas piramides de Giza. Era a primeira visão de algo concreto em 7 dias! Muito antes de cruzar a linha, as lágrimas começaram a dar o ar da graça de pura felicidade...quase não se acreditava que faltava tão pouco.






Consegui chegar entre as top 10! 7ª colocada entre as mulheres e 35ª no geral. Era so lagrimas...solusantes!!!! A emoção que nos enche a alma em um momento como este é quase indescritivel (me desculpem por issso....)



Em meio ao choro, tanta coisa passa na cabeça naquele instante...sobretudo as imensas dificuldades para chegar ali, e no final conseguir dar conta, realmente é fantástico.



Lembramos então da familia, dos parceiros, dos amigos, do companheiro, do meu projeto, de meus alunos com deficiencias...enfim (como diria o meu rei Roberto Carlos: "são tantas as emoções...")

Mais outra emoção enorme que eu senti foi com a chegada do ultimo atleta...que rara beleza!!1



Sabiam que este atleta chega escoltado por 2 camelos??? Pois é! É lindo demais. Uma visão de sonho, ver aqueles bichinhos com as melhores carinhas do mundo dando a maior "força" para o atleta. VERDADE!!!! So faltam falar: vamos lá, nós estamos aqui com voce e vamos juntos!!! Um exemplo que muita gente deveria seguir né?). Eles acompanham bem lentamente o atleta (um do lado do outro, servindo de "amparo" para o atleta ate que este cruze a linha de chegada. Gente, para mim que AMO animais, confesso que me emocionei mais do que quando cruzei a linha ( e olhe que a emoção foi grande viu?). Lindo, lindo, lindo.



Eles não são fofos???

Finalmente, apos recebermos nossa medalha havia um "banquete" de pizzas, mais confesso que não tinha o menor apetite...nem a coca cola me animou ( engraçado né? uma semana sonhando com a danada, e quando ela surge borbulhante: nem ai para ela....

É que estava com a lingua pegando fogo! quase que literalmente!!!!!risssosss

Depois desses dias todos so bebendo e comendo coisas quentes e repetidas, o organismo inteirinho precisava agora de uma "volta a calma"!!!! risssossss

A noite jantar de gala e despedidas.

Naquela mesma noite retornei para o Rio, radiante e sempre grata a Deus, Jesus, Nossa santa mãe, NSAparecida, toda a espiritualidade maior e amiga e ao meu anjo guardião ( que devia estar exausto né ? coitado.)

No avião, antes de cair num sonho profundo um ultimo pensamento de gratidão a minha mãe Marluce, meu irmão Radamés (iiii, a máquina fotografica quebrada....), ao querido Luiz lacerda (que não via a hora de encontra-lo..."as costas e os pés!!!!!!não era bem ele!), ao querido Cristian, Luizinho, Gui, Sandra, Jefferson Maia... aos amigos carnais que enviaram mensagens de força e coragem, e mesmo aqueles que não enviaram mais torceram igual...e aqueles que nem torceram!!!!





A todos, sem excessão muito muito obrigado.

Ah, lembra que eu falei no começo que dar de cara com um oasis seria emocionante? Parecia delirio né? Mais, ACREDITEM: encontrei um!!!! VERDADE!!!! Foi em algum chekpoint, não sei em qual kilometro....mais que vi vi!!!! Depois de kilometros de areia escaldante e sol mais ainda, cheguei num posto de controle e... uma belissima "piscina" com agua fresca...Era de se jogar e não sair mais....Mais se fizesse isso molharia os pes e ai ja viu né?

Por incrivel que parece, passei ao largo!

É, vi um oasis....E nem fiz uso!

Gente, não foi delirio!!!!
Ou foi????
Bem, rumo ao ATACAMA!

Bjs bjs.

Jacqueline Terto.

domingo, 12 de setembro de 2010

Ultra promessa com fé

Nossa Senhora Aparecida - Padroeira do Brasil




Ola amigos. Com alegria vou fazer uma rápida postagem do "pagamento de promessa" junto a querida Padroeira do Brasil.

Para voces entenderem melhor é o seguinte:

Em outubro de 2009, voces sabem que estive na jungle marathon com a busca de um bi-campeonato ( fui campeã em 2008). Apos a largada, por volta do kilometro 16, em acirrada disputa com 2 americanas, pisei em um buruco e torci o pé. Naquele instante a prova tinha terminado. Porém, caida no chão, vendo as adversárias sumindo no meio da mata, restou-me a dor e a reflexão do momento...

No entanto apos alguns momentos comecei a lembrar de meus alunos com deficiências, que vivem situações tão complicadas quanto aquela e não desistem, pensei também no meu terapeuta querido (ou meu mecanico como gosta de ser lembrado) que poderia me consertar se eu chegasse até ele, e pensei na espiritualidade maior ( sou espirita kardecista) lembrando que eles sempre me assistem em qualquer situação, e, foi naquele instante que me veio a imagem da querida padroira...

Ela surgiu com brilhos cintilhantes de luz a minha frente e deu- me a mão oferecendo ajuda para levantar. Com olhos cheios de lagrimas e ainda muita dor no tornozelo, em pensamento olhei para ela e pedi ajuda para conseguir chegar até o próximo chek-point, onde encontraria o Luiz Lacerda e ele poderia cuidar melhor da lesão. A santa padroeira apenas balançou a cabeça afirmativamente. Num ultimo olhar aquela imagem de sonho, eu prometi que se conseguisse concluir ao menos aquele estagio, ao retornar para o Rio de janeiro, eu iria sair da porta de minha casa ( Taquara/Jacarepagua) até a Básilica de Nossa Senhora Aparecida pela Dutra em agradecimento.

Dali em diante, corri apenas movida pela fé. Consegui chegar ate o proximo chek point, encontrei o Luiz Lacerda que me consertou emergencialmente, e para encurtar a historia consegui fechar a prova intermediária da competição ( 100 KM) em primeiro lugar. Ou seja acabei por ser campeã dos 100 KM quando não havia a menor possibilidade de completar ao menos 20 KM!

Bem, as vésperas de viajar para o Egito, onde participarei da Ultra maratona no Deserto do Sahara, resolvi que estava na hora de honrar minha promessa junto a Santinha.

Como sempre, meu querido " mecanico" se "convidou" a acompanhar-me, pois achou muito perigoso eu ir sozinha pela estrada afora da Dutra ( acho que ficou com medo do lobo mal me pegar né? risossss) Ele é uma figura né não???? Afinal seriam quase 300 KM pela estrada de alta velocidade... E no final ele teve toda razão! A estrada é um caos!!!!!

Saimos do Rio (da porta de minha casa) no dia 06 de Setembro (segunda feira) às 6:30 da manhã.

Devidamente equipados ( muchila nas costas com tudo para pelo menos 7 dias ) partimos para a tarefa ofertada. Planejamos alterar pequenas corridas com caminhadas. A noite poderiamos avançar o que desse e fazer paradas ao logo do trechos mais perigosos para então recomeçar de dia.

Logo de cara, meu GPS interno pifou! Consegui errar o caminho!!!!!

Fui salva pela sagacidade do mecanico que começou achar que estavamos correndo um "tanto quanto diferente do programado".

Alertada, me dei conta que estavamos correndo destino oposto ao desejado! Isso 40 km depois né?

Meu GPS estava nos conduzindo para Marte devia ser....sinceramente eu sou ZEROOOOOOOO de direção!!!!!risossss.

Retornamos ao caminho correto, voltamos 40 km ate o ponto de "achado" e seguimos rumo a Básilica. Acho que aquela "erradinha de caminho" foi um lembretinho da Santa que promessa é para se cumprir logo, e não quase um ano depois né? Bem, eu acho!!!!!!

Pela estrada, seguimos sempre atentos, tensos com os carros e caminhões passando pela gente em altissima velocidade, raspando mesmo, levando nossos bonés, enfim, um desespero! As noites eram terriveis pois os farois dos carros nos "cegavam" momentaneamente, o que me dava nervoso...

O Luiz, muito sabiamente saiu com esse pequeno discurso:

" Pois é, eu acho que no lugar da Santinha esta feliz com o pagamento da promessa, ela tá é danada da vida com a gente, pois estamos dando mais trabalho do que alegria. Nessas alturas ela deve estar estourando o orçamento do seu ministerio para colocar equipe de anjos extras para cuidar da gente ate a Basilica. Ela não ve a hora da gente chegar lá para poder respirar! E ainda é capaz de dar umas broncas!!!

Os anjos de rotina devem estar exaustos, pois não demos um minuto de paz para eles!!!"

Sorri da observação. Mais que tinha lógica tinha!

Em silencio, pedi perdão pelo "trabalho" extra e PROMETI que jamais faria aquilo de novo. Escolheria um caminho que não houvesse o menor perigo para correr ou andar (precisava apenas descobrir onde né?).

NO inicio da subida da Serra das Araras, logo no começo, paramos para abastecer numa birosquinha de estrada, e ao pisar la dentro ouvimos o inciar da prece de nossa senhora que passa na radio ( se não engano) Tupi. Ficamos emocionados com a "acaso" do fato ( apesar de ter muito claro que o acaso não existe). Aquilo foi um "oi" da santinha para gente.

E, achei a Serra das Araras uma "descida" de tão gostosa.

Não foi de maneira nehuma dificil fazer aquela subida.

Encontramos pela estrada uma turma de ciclista que a 3 anos, um mês antes do aniversário da Santa, fazem o percurso pela dutra com suas "bike" saradas!

Acabamos por nos conhecer um pouco mais e nos encontravamos vez ou outra estrada afora. Parece estranho né? Uma vez que eles estavam de bike e agente a pé! Mais é que eles fazem longas paradas para descansarem ou esperar os colegas que seguem mais devagar. A galera das bike sofrem nas subidas. Por um logo tempo ficamos nos encontrando, e so nos despedimos um pouco antes de Resende, onde encontramos os amigos Mário e Eliana Lacerda ( citação em paragrafo afrente).

Seguimos nossa missão mais felizes ainda.

Em Resende, encontramos os queridos amigos Eliane e Mario Lacerda, que generosamente nos deram acolhidas. Ganhei um quarto e o Luiz o amor incondicional do "Sargento" (o cachorro da familia) . O Sargento, um cachorro "fera pra cachorro", mistura de pitbul com não lembro o que, é daqueles que assustam mesmo ( mais é um meninão amoroso e levado) mais assusta devido seu porte grande e suas brincadeiras pesadas. E não é que o Luiz conseguiu "ninar" o danadinho??? O Sargento de tão apaixonado demostrou com lambidas e mais lambidas no pescoço do Luiz. Corajoso o mecanico né não????

Os ultimos kilometros da nossa ultra promessa foi bem dificil, pois o querido Luiz, teve uma lesão por estress no calcanhar, e sentiu muito mais devido a estrada dura da Via Dutra ( asfalto puro né?).

Conseguimos chegar movidos pela fé e pelo compromisso assumido.

Emocionados e felizes, choramos e agradecemos mais uma ultra em nossas vidas.

No dia 11 de Setembro, às 14:00 horas, enfim conseguimos dar sossego a querida santinha e sua equipe de anjos plantonista!

Promessa cumprida, orgulhosos, retornamos aos nossos lares, e mais uma vez, tivemos a certeza que a fé sempre, removerá montanhas!


Bjs com carinho,

Jacqueline Terto.






domingo, 5 de setembro de 2010

COORDENADORA DO PcD da VOM EM NOVO DESAFIO



COORDENADORA DO PcD EM NOVO DESAFIO
Jacqueline Terto, coordenadora do Projeto Pessoas com Deficiências da Vila Olímpica da Maré, começa no próximo dia 3 de outubro mais uma desafiante etapa de sua carreira como ultramaratonista. Ela estará no deserto do Saara, participando da primeira etapa de uma competição que vai percorrer os quatro desertos mais extremos do planeta.
A coordenadora do Projeto Pessoas com Deficiências da VOM é conhecida no mundo do esporte por ter sido a primeira brasileira a ganhar, em 2008, a Jungle Marathon, uma ultramaratona de sete dias em plena selva amazônica na qual homens e mulheres competem juntos, de igual para igual.  Além do Saara, o deserto mais quente, Jacqueline pretende percorrer o deserto  de Gobi (o mais úmido), o de Atacama (o mais seco) e a Antártida (o deserto mais frio). Também está em seus planos participar da ultramaratona do Nepal, em 2011.
Jacqueline conta que retorna � s ultramaratonas apoiada integramente pelos amigos mais próximos, e com um novo projeto: "Ultramaratona com Responsabilidade Social", onde pauta sua participação nesses eventos com vistas � criação do Instituto Jacqueline Terto (JT), fundação de apoio e assistência a pessoa com deficiência em condições de extrema pobreza e risco social.
Para quem quer conhecer mais um pouco da carreira de Jacqueline, está em seu blog uma reportagem feita pelo programa Vamos Correr, do canal ESPN. O diretor da VOM Amaro Domingues e a coordenadora de Educação, Cultura e Empreendedorismo Sandra Garcia também dão seus depoimentos sobre o trabalho de Jacqueline Terto na reportagem.